A fissura no mamilo é uma das razões mais frequentes de dor durante a amamentação — e também uma das que mais geram desânimo em quem está determinada a amamentar. Existe caminho de cuidado para essa fase.
Na maioria das vezes, a fissura está relacionada a ajustes na pega ou na posição do bebê ao seio. Por isso, tratar apenas o sintoma sem observar a causa tende a não resolver o desconforto por completo. Outros fatores, como o freio lingual curto do bebê, uso incorreto de produtos na região do mamilo ou mudanças hormonais também podem contribuir para o surgimento ou a manutenção da fissura.
Sensibilidade que persiste além dos primeiros segundos de sucção, uma linha ou ferida visível no mamilo, dor em pontada durante ou após a mamada, e sangramento leve são sinais de que algo no processo de amamentação merece atenção. É importante diferenciar o desconforto inicial e passageiro, comum nos primeiros dias de amamentação, da dor persistente que indica uma fissura já instalada. Observar o formato do mamilo logo após a mamada também ajuda: um achatamento em forma de "batom" ou uma linha esbranquiçada na ponta costuma indicar que a pega precisa de ajuste, mesmo antes de uma ferida se formar.
Antes de qualquer outro cuidado, avaliar e corrigir a pega do bebê ao seio é o passo mais importante para tratar a fissura na raiz. Uma boca bem aberta, o queixo encostado na mama, os lábios virados para fora e mais aréola visível acima do lábio superior do que abaixo do lábio inferior são sinais de uma pega mais confortável. Pequenos ajustes de posição, muitas vezes, já trazem alívio significativo da dor.
Além do ajuste de pega, a laserterapia de baixa potência pode ser aplicada diretamente na região fissurada, favorecendo a cicatrização do tecido e reduzindo a dor entre uma mamada e outra — um cuidado complementar, não um substituto da correção da causa. A laserterapia atua estimulando a regeneração celular e tem efeito analgésico local, o que costuma trazer alívio já nas primeiras sessões, associada à correção da pega.
O procedimento é indolor, rápido — geralmente leva poucos minutos — e não requer preparo especial. O laser de baixa potência é aplicado diretamente sobre a área fissurada, sem contato agressivo com a pele, e pode ser repetido em algumas sessões ao longo de poucos dias, conforme a evolução da cicatrização observada pela profissional responsável.
Manter a região seca entre as mamadas, evitar produtos que ressecam a pele e observar a evolução da fissura ao longo dos dias ajudam a acompanhar a melhora, além do suporte profissional. Aplicar uma gota do próprio leite materno sobre o mamilo após a mamada e deixar secar naturalmente também costuma ajudar na cicatrização, por suas propriedades protetoras. Trocar os forros de amamentação com frequência, evitando que fiquem úmidos por muito tempo, contribui igualmente para o processo.
Sabonetes perfumados, pomadas não indicadas por um profissional e o hábito de "endurecer" o mamilo com atrito não têm respaldo científico e podem, inclusive, piorar a fissura. Interromper a amamentação do lado afetado também não costuma ser necessário nem recomendado — o mais eficaz é corrigir a causa e tratar a ferida, mantendo a amamentação com os ajustes adequados.
Nem toda dor na amamentação vem de uma fissura simples. Vermelhidão intensa, calor local, febre, mamilo com aspecto esbranquiçado após a mamada ou dor em queimação que persiste entre as mamadas podem indicar outras causas, como infecção ou candidíase mamária, que exigem avaliação e conduta específicas. Por isso, uma dor que não melhora com os ajustes habituais merece ser reavaliada por um profissional.
Depois que a ferida cicatriza, manter a atenção à pega nas mamadas seguintes é a melhor forma de evitar que a fissura volte a aparecer. Variar a posição de amamentação ao longo do dia também ajuda a distribuir a pressão sobre diferentes pontos do mamilo, reduzindo o risco de uma nova lesão no mesmo local.
A dor persistente ao amamentar não afeta apenas o corpo — também pesa emocionalmente sobre quem está vivendo esse momento, muitas vezes já cansada pelas noites mal dormidas e pela adaptação à nova rotina. Não é incomum que a dor gere insegurança sobre a própria capacidade de amamentar, ou até o pensamento de desistir. Reconhecer esse peso emocional, e buscar apoio cedo, faz parte do cuidado tanto quanto o tratamento da própria fissura.
Diferentemente de compressas, óleos ou pomadas de uso popular, a laserterapia atua diretamente na estimulação da regeneração celular do tecido lesionado, com efeito comprovado sobre a velocidade de cicatrização e o alívio da dor. Isso não significa que os cuidados caseiros, como manter a região seca e usar o próprio leite materno, devam ser abandonados — eles seguem sendo aliados importantes, mas a laserterapia acrescenta um recurso terapêutico com respaldo técnico específico para casos de fissura mais persistente ou dolorosa.
Quanto mais cedo a fissura é identificada e tratada, mais rápida tende a ser a recuperação, e menor o risco de a dor levar à interrupção precoce da amamentação. Se a dor já está interferindo na frequência das mamadas, ou se a família está considerando complementar ou interromper a amamentação por causa do desconforto, esse é justamente o momento de buscar avaliação — antes que a situação se agrave.
Variar a posição ao longo do dia — alternando entre a posição tradicional, a posição invertida (embaixo do braço) e a posição deitada, por exemplo — ajuda a distribuir a pressão da sucção sobre diferentes regiões do mamilo, em vez de concentrá-la sempre no mesmo ponto. Isso é especialmente útil enquanto uma fissura está em processo de cicatrização, já que reduz o atrito repetido exatamente sobre a área lesionada durante as mamadas seguintes.
Com o ajuste de pega e o tratamento adequado, a maioria das fissuras apresenta melhora perceptível já na primeira semana, embora o tempo total de cicatrização varie conforme a profundidade da lesão e a consistência dos cuidados adotados. É importante ter paciência com esse processo: a melhora costuma ser gradual, e pequenos retrocessos ao longo do caminho não significam que o tratamento não está funcionando.
Não. É um procedimento indolor, rápido e sem contato agressivo com a pele.
Varia de caso a caso, mas costuma envolver algumas sessões ao longo de poucos dias, conforme a evolução da cicatrização.
Geralmente não. O mais indicado é corrigir a pega e tratar a ferida, mantendo a amamentação com os ajustes necessários.
Na maioria das vezes sim, mas outros fatores, como o freio lingual do bebê, também podem contribuir — por isso a avaliação individual é importante.
O ideal é que qualquer produto seja indicado por um profissional, já que alguns itens comuns podem ressecar ainda mais a pele.
Sinais como vermelhidão intensa, calor local, febre ou dor em queimação entre as mamadas pedem avaliação, pois podem indicar outra causa além da fissura simples.
Pode, principalmente se a causa original — geralmente ligada à pega — não for corrigida. Por isso a atenção à pega continua importante mesmo depois da melhora.
Um desconforto leve e passageiro nos primeiros segundos pode acontecer nos primeiros dias, mas dor que persiste ao longo da mamada não é esperada e merece avaliação.
Nem toda dor precisa ser suportada em silêncio até que a amamentação melhore sozinha. A Mamma Gaia acolhe essa queixa com escuta e cuidado prático, unindo ajuste de pega, laserterapia e acompanhamento próximo da família.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma avaliação individual. Diante de dor persistente na amamentação ou sinais de infecção, procure avaliação profissional.
Milene
Enfermeira, Consultora de Amamentação, Laserterapeuta e Furo de Orelha Humanizado
Equipe Clínica Mamma Gaia
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